Se você tem um Synology NAS em casa ou na empresa e ainda não configurou backup automático, é questão de tempo até um HD morrer, um ransomware criptografar os arquivos ou alguém apagar uma pasta por engano sem passar pela lixeira. Já perdi um cliente inteiro de fotos de casamento porque o NAS dele estava rodando havia três anos sem nenhuma cópia externa — o disco simplesmente parou de responder numa segunda de manhã. Depois disso, configurar backup no primeiro dia de instalação virou regra fixa aqui.
O problema é que o DSM (o sistema operacional do Synology) tem dois aplicativos de backup com nomes parecidos e propósitos bem diferentes, e é aí que a maioria se perde.
Hyper Backup ou Active Backup for Business: qual usar?
Hyper Backup protege os dados que já estão dentro do NAS — pastas compartilhadas, configurações do DSM, bancos de dados de pacotes instalados. Ele copia esse conteúdo para um HD externo USB, outro NAS Synology remoto ou um serviço de nuvem (C2, Google Drive, Dropbox, S3, entre outros).
Active Backup for Business faz o caminho inverso: ele roda a partir do NAS e busca dados em PCs, servidores físicos, máquinas virtuais e até Microsoft 365 ou Google Workspace, trazendo tudo para dentro do Synology. Se você quer usar o NAS como repositório central de backup da empresa, é esse pacote que interessa.
Na prática, quem tem NAS em ambiente doméstico ou pequeno escritório costuma precisar dos dois: Active Backup trazendo os PCs para o NAS, e Hyper Backup levando uma cópia do NAS para fora (nuvem ou HD externo), fechando a famosa regra 3-2-1 que já detalhei neste outro guia sobre proteção contra ransomware.
Passo a passo: configurando o Hyper Backup
- Abra o Package Center no DSM e instale o pacote Hyper Backup (gratuito, da própria Synology).
- Abra o aplicativo e clique no botão + para criar uma nova tarefa de backup.
- Escolha o destino: pasta local/USB, outro servidor NAS via rsync/NetBackup, ou um dos serviços de nuvem suportados.
- Selecione as pastas compartilhadas e os pacotes (configurações do DSM, banco de dados, etc.) que quer incluir. Não marque tudo por padrão — isso deixa o backup gigante e lento sem necessidade.
- Defina a criptografia (recomendo ativar) e anote a chave em um lugar seguro fora do NAS. Sem ela, um backup criptografado é inútil para restaurar.
- Configure o agendamento (diário fora do horário de pico costuma ser o ideal) e a política de rotação de versões.
- Finalize e rode a primeira execução manualmente para confirmar que tudo completa sem erro antes de confiar no agendamento.
Passo a passo: configurando o Active Backup for Business
- Instale o pacote Active Backup for Business pelo Package Center.
- Dentro do aplicativo, escolha o tipo de dispositivo: PC físico com o Active Backup Agent instalado, servidor físico, VMware/Hyper-V, ou contas de nuvem (Microsoft 365, Google Workspace).
- Para PCs Windows, baixe e instale o Active Backup for Business Agent na máquina que será protegida, informando o endereço IP do NAS durante a instalação.
- De volta ao NAS, o dispositivo aparecerá disponível para configuração de tarefa — defina o que será copiado (imagem completa do disco ou pastas específicas) e o agendamento.
- Acompanhe a primeira sincronização: em máquinas com muitos dados, esse primeiro backup completo pode levar várias horas, então rode fora do expediente.
Problemas comuns e como resolver
1. Tarefa fica travada em “Em andamento” sem avançar. Normalmente é falta de espaço no destino ou uma conexão de rede instável (comum em backups para NAS remoto via internet). Verifique o espaço livre primeiro — é o motivo mais frequente e o mais fácil de ignorar.
2. Erro de permissão ao acessar pastas compartilhadas. Confirme se o usuário usado pelo Hyper Backup tem permissão de leitura nas pastas selecionadas em Painel de Controle > Compartilhamento de Arquivos > Permissão de Pasta Compartilhada. É fácil esquecer isso depois de reorganizar permissões.
3. Backup completo do zero de novo depois de uma atualização do DSM. Às vezes acontece após grandes atualizações de versão do DSM ou troca de destino. Não é motivo de pânico, mas reserve espaço e tempo extra — e evite rodar a atualização do sistema no meio de uma janela de backup agendada.
Perguntas frequentes
Posso fazer backup do NAS direto para o Google Drive? Sim, o Hyper Backup tem conector nativo para Google Drive, Dropbox, S3 e outros. Basta autorizar a conta durante a criação da tarefa.
Quanto espaço de destino eu preciso reservar? Como regra prática, pelo menos 1,5x o tamanho dos dados originais, considerando versionamento incremental. Se for guardar várias versões históricas, esse número cresce.
Perdi a chave de criptografia, dá pra restaurar mesmo assim? Não. Sem a chave, o conjunto de backup criptografado fica inacessível permanentemente — é por isso que ela precisa ficar salva em outro lugar, nunca só dentro do próprio NAS.
O Active Backup for Business cobra alguma licença? Não, é gratuito para uso em NAS Synology, sem limite de dispositivos protegidos na maioria dos modelos atuais.
Se seu NAS também funciona como servidor de mídia em casa, vale revisar como configurar isso corretamente antes de rodar os backups, e se a empresa ainda depende de rotina manual, dá uma olhada nas soluções de backup automático para pequenas empresas que já cobrimos por aqui.
Quanto de armazenamento reservar e por quanto tempo guardar versões
Um erro clássico de quem configura backup pela primeira vez é deixar a rotação de versões no padrão do assistente e esquecer disso. Se você guarda 30 versões diárias de uma pasta que muda pouco, está desperdiçando espaço; se guarda só 3 versões de um servidor de arquivos que muda todo dia, um problema descoberto na quinta-feira pode já ter sobrescrito a única cópia boa. Regra prática que uso: para dados de trabalho que mudam com frequência, mantenho pelo menos 14 versões diárias mais 4 semanais; para arquivos mais estáticos (fotos, documentos arquivados), 5 a 10 versões já cobrem a maioria dos incidentes reais, que costumam ser percebidos em poucos dias.
Vale também testar a restauração pelo menos uma vez depois de configurar tudo — não só verificar se o backup “roda sem erro”, mas efetivamente restaurar um arquivo de teste e abrir para confirmar que ele não está corrompido. Muita gente só descobre que o backup estava quebrado na hora que mais precisa dele, e nesse momento já é tarde.


